Thursday, October 1, 2009
Bloggar a cidade
Este era o mote de um debate promovido pelo Bloco de Esquerda, no qual participei. O resumo do debate pode ser visto aqui.
Wednesday, September 30, 2009
A "Casa Manuelina"

A chamada "Casa Manuelina", cujo verdadeiro nome é Casa do Relógio de Sol, nada tem de manuelino. A casa foi construída em 1910-11, por ordem do capitão de artilharia e republicano Artur Jorge Guimarães e da sua mulher, Beatriz Jorge Guimarães. O projecto de arquitectura é atribuído a José Teixeira Lopes, irmão do famoso escultor António Teixeira Lopes.
A casa é uma marca do tempo em que a Foz se começou a afirmar como o local de residência de uma certa burguesia novo-rica, com a moda dos banhos de mar a chegar ao país e os transportes para o centro a desenvolverem-se. A casa é também sintomática de um tempo em que o pastiche era comum - o mesmo arquitecto, aliás, desenhou a fantástica Casa Mourisca.
Uma das particularidades desta casa encontra-se nas janelas. Tendo o arquitecto o desejo de introduzir no projecto vários elementos de arquitectura manuelina, cada janela reflecte uma variante desta corrente arquitectónica.
A casa chegou a estar em vias de classificação mas foi retirada da lista de património pelo IGESPAR em 2008. Não discordando da decisão, penso que não deveria ser motivo para se encontrar em tal estado de abandono. Penso até que a Foz ficaria um pouco mais triste se a casa eventualmente fosse arrasada pela fúria imobiliária, por muito kitsch que possa ser.
Monday, August 31, 2009
Castelo do Queijo

O Forte de São Francisco Xavier do Queijo, mais conhecido como o Castelo do Queijo, terá sido construído entre 1651 e 1662. O seu nome advém do Penedo do Queijo, uma formação rochosa lisa que, diz o mito, seria um local sagrado para o povo Celta.
O forte foi sempre alvo de contestação por parte das autoridades locais, que o consideravam supérfluo e uma fonte de desperdício de dinheiros públicos. Em inícios do século XIX, o forte acaba por ser abandonado, dado que não tinha nunca servido para defender a cidade, nem mesmo contra as invasões francesas.

Apenas durante o cerco do Porto, entre 1828 e 1834, o forte teve algum uso. As tropas miguelistas ocuparam-no, tendo deixado um rastro de destruição. Depois da sua derrota, o forte foi de novo abandonado. Seguiu-se um longo período de abandono, durante o qual o forte passou de mão em mão, até acabar nas mãos da Associação de Comandos em 1978. Actualmente, podemos lá encontrar um museu militar.

O forte apresenta uma planta trapezoidal, com muralhas rodeadas por um fosso e bordejadas por canhoeiras e guaritas nos vértices. Atravessando a ponte levadiça, e o portão monumental, encimado pelo escudo real, chegamos ao átrio. Subindo a rampa, atingimos a bateria e daí temos um miradouro excelente sobre o mar. A visita vale a pena sobretudo pelas vistas, sendo o museu de pouco interesse.
Tuesday, August 18, 2009
Jardins do Palácio ameaçados

Em altura de férias, o executivo camarário aprovou dois novos atentados ao património da cidade: a construção de um novo edifício para congressos empresariais nos Jardins do Palácio e a reconversão do Mercado do Bom Sucesso num hotel. O meu empenho nas lutas contra a destruição de tudo o que é típico desta cidade em nome de uma visão bacoca e novo-rica de cidade tem ditado o meu afastamento deste blog.

Caso deixemos a cidade nas mãos de quem a tem (des)governado, visões como estas serão parte do passado. Ficaremos com uma cidade repleta de shoppings, hotéis, teatros com musicais pimba e todas aquelas coisas que fazem as delícias dos parolos do "Jet-Set". Convido quem ousa ter outra visão a visitar o blogue de defesa do palácio e a juntar-se ao nosso movimento.
Tuesday, December 23, 2008
Deambulando pela Casa Tait

Num local abrigado do ruído citadino, protegida por grandes muros, encontramos a Casa Tait. Frequentemente os visitantes dos Jardins do Palácio esquecem-se de atravessar a Rua de Entre Quintas para passar da Quinta da Macieirinha para este lado. Uma pena, porque aqui se encontra um dos mais belos espaços verdes da cidade.

O nome da casa foi dado por William Tait, um burguês ligado ao vinho do Porto, que a adquiriu em 1900. Muriel Tait sucedeu-lhe como proprietária da Casa, vendendo-a ao município com a condição de ser transformada em espaço verde público.

Apenas no lado do rio tem janelas, dando uma panorâmica privilegiada sobre o Rio Douro. Actualmente, a Casa Tait serve como Gabinete de Numismática municipal.

Infelizmente, como é o caso de tantos outros espaços verdes, a manutenção deste jardim deixa muito a desejar. Incrível, este abandono, sobretudo num jardim que conta com um patrimóni vegetal tão rico, de onde se destaca um liriodendrum tulipifera classificado. Ainda espero o dia em que tenhamos um executivo camarário que veja os espaços verdes como um activo da cidade, e não como um passivo.
Friday, November 7, 2008
A Igreja dos Grilos

Descendo da Sé em direcção ao rio, encontramos a Igreja e Colégio de S. Lourenço. Construída em 1577 pelos jesuítas, é um dos mais recentes exemplares do estilo maneirista barroco-jesuítico. A sua construção foi financiada pelas doações de fiéis, assim como de Frei Luís Álvaro de Távora, nela sepultado.
Na sua frontaria figura o emblema da Companhia de Jesus, símbolo dos seguidores de Inácio de Loyola, sendo desprovida de qualquer outro elemento decorativo, na tradição jesuíta. Pouco se sabe sobre a história do colégio mas pode-se supor que o número de alunos que por lá passaram será elevado.
Em 1759, os jesuítas seriam expulsos do Porto pelo Marquês de Pombal e a igreja foi doada à Universidade de Coimbra. Em 1780, os Frades Agostinhos Descalçados acabariam por a comprar e, inadvertidamente, dar-lhe o nome pelo qual hoje é conhecida. O nome popular "frades-grilos" advém do facto de a sua sede inicialmente se localizar no Grilo, em Lisboa.
Os frades acabariam por abandonar as instalações durante o cerco do Porto, dada a ocupação pelas tropas liberais. Aqui acabaria por se instalar o Batalhão Académico, composto por voluntários e do qual fazia parte Almeida Garrett.

O que muitos não reparam nesta monumental igreja é num pequeno refúgio. Entrando numa porta à nossa esquerda, damos para um pátio interior onde um pequeno lago ocupado por peixes nos traz uma sensação de calma muito "zen". Tudo isto complementado com a grande simpatia e hospitalidade do padre que faz sempre questão de receber bem quem visita a igreja.
Saturday, September 27, 2008
Ontem, na "praça pedonal"
Recordo-me com distinção do dia em que fui assistir a um debate sobre a requalificação da envolvente do Museu Soares dos Reis, na sequência da construção do Túnel de Ceuta. Afinal, o debate era apenas uma palestra, sendo interditas as perguntas aos cidadãos que se dirigiram à Biblioteca Almeida Garrett. Mas o mais curioso foi como os responsáveis pelo projecto tentaram impingir a ideia de que iria ser criada uma "praça pedonal" em frente ao museu. Curioso conceito este de espaço pedonal onde passam automóveis, pensei eu.

Ontem foi este o cenário com que me deparei na envolvente do museu nacional. O patrocínio da Lancia a uma exposição aparentemente legitima a ocupação do passeio por automóveis da marca, obrigando os peões a desviarem-se para a rua, perdão, para a envolvente pedonal. Como se o espaço em causa já não estivesse suficientemente vandalizado pelo permanente estacionamento ilegal.
Ontem foi este o cenário com que me deparei na envolvente do museu nacional. O patrocínio da Lancia a uma exposição aparentemente legitima a ocupação do passeio por automóveis da marca, obrigando os peões a desviarem-se para a rua, perdão, para a envolvente pedonal. Como se o espaço em causa já não estivesse suficientemente vandalizado pelo permanente estacionamento ilegal.
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